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A inversão da pergunta pela resposta

perguntas e respostas

Doutrinas e Tradições

A Bíblia é um dos livros mais antigos do mundo e, pelo menos no Brasil, o mais popular desses livros antigos.

Até o início da Idade contemporânea, praticamente ditava as regras de conduta das sociedades ocidentais, principalmente nas línguas neolatinas.

Todos os pensadores clássicos apresentam alguma ambiguidade em sua escrita, propositadamente ou não. Lendo Rousseau ou Camões, tem-se a nítida impressão de se estar frente a um conteúdo “papo-cabeça”, “talking heads”, ou qualquer outra expressão usada para designar o estilo dos jovens dos anos 80, 70, 60, etc.

Qualquer semelhança com os universitários, não seria mera coincidência.

É como se os textos não fossem escritos apenas para informar, mas para testar a capacidade de interpretação do leitor.

O uso de figura de linguagens, além de servir para direcionar informação para um público específico, poderia evitar complicações com o falso moralismo dos poderosos.

Necessitando evitar conflitos com poderosos e moralistas, esse estilo de texto se desenvolveu ainda mais, tornando-se ambíguos.

Talvez a própria Bíblia apresente os livros mais ambíguos e abertos a variadíssimas interpretações, surgindo, daí, inúmeras religiões, cada uma tentando demonstrar o seu ponto de vista.

Há uma religião que diz que o nome de Jesus – Ou seria Deus? – seria Geová. Como a igreja católica apresenta o nome Javé, seria apenas uma questão de sotaque, mas uma doutrina religiosa não para por aí.

Em minha cidade, as prostitutas faziam questão de ressaltar a importância de Maria Madalena, a mulher apedrejada, perdoada por Jesus.

Jesus, aliás, foi um dos pensadores que mais contribuiram para elucidar algumas partes da Bíblia. Talvez tenha feito mais que isso, mas o falso moralismo impede a divulgação de todos os seus ensinamentos.

Uma vez eu perguntei para um “crente” porque ele sempre desviava do assunto, focando outro tema o qual não tinha nada a ver com a discussão. Educadamente, ele me respondeu que essa era uma forma de falar sobre o que ele estava lendo no momento, um assunto no qual ele tinha mais controle.

A mais curiosa discussão presenciada por mim, foi há muito tempo.

O gerente do departamento era de uma religião, seu mais eficiente empregado de outra, e tudo estava em absoluta harmonia, até o dia em que o fiel funcionário foi demitido.

Na hora do acerto de contas, presenciei uma das discussões mais curiosas de minha vida.

Reclamando do acerto, o funcionário dizia:

– Isso não está certo, estou sendo lesado em meus direitos, exijo uma correção. Para mim, vocês não passam de um bando de ladrões, cretinos.

O gerente, que era pastor, respondeu:

– Você precisa aprender a confiar, meu filho.

– Maldito o homem que confia no homem – respondeu o jovem ex-funcionário.

Enquanto isso, o Pastor insistia:

– Amai ao próximo como a ti mesmo.

E ele completava:

– Não valorize tanto o dinheiro, lembre-se do que diz a Bíblia: “Ao homem o que é do homem, à César o que é de Cesar.

– À Juca o que é de Juca – Retrucou o funcionário.

Todos acompanhavam a discussão com atenção, até que se chegou a conclusão de que quem daria a palavra final, seria o Departamento de Recursos Humanos.

…e todos ficaram decepcionados.

Ficou claro ali, que se todos conhecessem as leis da Bíblia, certamente não abririam mais a boca e, quando abrissem, o dedo seria apontado para si mesmo.

De certa forma, a Bíblia é mais útil para quem a está lendo. Se a pessoa vê alguma lei aplicada à outra pessoa, sempre se lembrará: “Tire o cisco de seu olho, antes de procurar o cisco no olho da outra pessoa”.

Nunca devemos subestimar a inteligência das outras pessoas.

A única pergunta que me deixa curioso é: Será que Judas foi perdoado?

O futuro de Judas não me interessa, mas perdoar setenta vezes sete seria suficiente para que Judas fosse absolvido de seu pecado?

Judas se matou antes do veredicto final, interrompendo esse processo doutrinário. Ele próprio se condenou.

Mesmo assim a pergunta continua: A covardia tem perdão?

É certo que alguém haveria de trair Jesus, mas sendo um de seus discípulos, sabendo que fora usado pelo sistema, isso foi duro demais até para um traidor.

Não poderemos julgá-lo, pois está escrito: “Não julgueis para não ser julgado.”

Assistindo a um filme aparentemente infantil, Tomb Raider, vi Laura Croff destruindo uma entidade com vários braços, para mim poderia ser um entidade religiosa da Índia. Essa imagem me trouxe a lembrança de que o Ocidente talvez seja mais intolerante que o Oriente Médio.

Todas as nossas interpretações podem entrar em conflito, diante de uma simples indagação de um leigo, mostrando a falta de algo que talvez não tenhamos, a humildade. A humildade para parar de dizer nós e encarar o fato de eu ser um único e indivizível ser, responsável pelos meus próprios atos e pensamentos.

Sempre haverá a pergunta e sempre haverá a resposta, infelizmente, não necessariamente nessa ordem.

By Jânio

abril 6, 2011 Posted by | Reflexões | , , , , , , , , , , , , , | 2 Comentários

O Contrato Social

primeira republica

República Moderna

“O homem nasceu livre e em toda parte acha-se acorrentado…

Renunciar à sua liberdade é desistir da sua qualidade de homem, dos direitos de liberdade, mesmo de seus deveres…

Tal renúncia é incompatível com a natureza do homem.”

“A alienação total de cada associado com todos os seus direitos á comunidade. Aqueles que se entregam a todos, não se dão à ninguém. Como não existe associado sobre o qual adquiramos os mesmos direitos que lhe concedemos sobre nós, ganharemos o equivalente a tudo o que perdermos, e mais força ainda, para conservarmos o que temos.”

“O Estado, em relação aos seus membros, é senhor de seus bens, graças ao contrato social…

O Estado é juiz da liberdade de cada pessoa. Pode impor uma religião civil, necessária à sociedade, banir os que não creiam nela, condenar a morte os que, depois de aderirem à essa religião, “se portem como se nela não acreditassem”, pois esta atitude constitui uma porta aberta para a arbitrariedade.”

Rousseau.

vejam bem, a democracia não surgiu na época do Iluminismo, Independência dos Estados Unidos ou Maquiavel, Surgiu muito tempo antes.

O princípio básico da democracia, sempre será liberdade, direito, responsabilidade.

“O direito de uma pessoa termina onde começa o direito da outra”. Essa é uma regra implícita, é preciso saber o que a outra pessoa pensa , o que ela sente, enfim, é preciso se colocar no lugar dela.

Em época de Web 2.0, uma pessoa que não conheça estes fundamentos é uma pessoa excluída, socialmente, digitalmente, economicamente…

“Libertas Quae sera tamen.” Essa expressão faz referência ao princípio básico da democracia, não a partir do Iluminismo ou de Maquiavel, mas da República/Império Romano, por sua vez inspirada na democracia da Grécia antiga.

Essa expressão foi traduzida como “Liberdade ainda que tardia”, sua tradução , entretanto, lembra-me uma discussão cordial com uma professora, quando eu disse: “…mas se eu fosse uma criança de seis anos, faria uma tradução literal e inocente: “Libertas que serás também”, ou seja, não mudaria nada.

Considerando a tradução da criança de seis anos, chegamos a conclusão de que os inconfidentes eram, de fato, muito irônicos em sua essência filosófica.

Toda a expressão “Liberdade ainda que tardia”, concentra-se em uma única palavra da expressão latina, “Libertas”. Ao invés de traduzir toda a expressão, os inconfidentes ironizavam, não o Império, mas o próprio povo.

Poderíamos dizer que a tradução é ambígua, ao mesmo tempo em que provocava a monarquia, em latim, incitava o povo: “Já chegará tarde, essa tal liberdade.”

Rousseau faz uso de uma argumentação clássica: “É preciso ser homem” – Ao mesmo tempo, inteligentemente, foge de uma possível armadilha, uma ideia revanchista, ideia revolucionária: Renunciar à sua liberdade é desistir da sua qualidade de homem, dos direitos de liberdade, mesmo de seus deveres…

Rousseau também faz um alerta: “A alienação total de cada associado com todos os seus direitos á comunidade. Aqueles que se entregam a todos, não se dão à ninguém. Como não existe associado sobre o qual adquiramos os mesmos direitos que lhe concedemos sobre nós, ganharemos o equivalente a tudo o que perdermos, e mais força ainda, para conservarmos o que temos.”

Traduzindo: A submissão do cidadão ao sistema, não deve tirar a sua força para crescer, mas acrescentar benefícios ainda maiores. Deve fazer com que sua comunidade cresça diante de seus olhos, motivando-o a continuar lutando para “vencer na vida”, vendo senão a si, aos seus entes queridos entrarem na “Terra prometida”, a qual lhe é de direito, já que lhe fora prometido.

O princípio da ética também é observado claramente: “Aquele que se entrega a todos, não se dá à ninguém”. Nesse caso, o cidadão deve pensar unicamente na sociedade como um todo, deve obedecer, servir, a sociedade, não ao interesse e ideologia do ditador que toma o poder.

Na última linha do texto citado, Rousseau é taxativo. Segundo o seu pensamento, quem não seguir as leis, deve ser banido da sociedade onde imperam essas leis, e vai mais longe, quem aderir a essas leis depois romper com elas, deve ser condenado a morte, pois essas pessoas são o maior perigo para o fim dessa sociedade.

Portanto, vivemos numa anarquia total, desde o momento em que vendemos, ou compramos o voto, até o momento em que nos corrompemos diante das dificuldades, impostas inteligentemente pelo Estado Elitista, através de altas cargas de tributo.

Todos que não vivem na elite, classe média alta, e não aderem a “PPP”, estão definitivamente banidos da sociedade.

Somos escravos, vivemos fora do círculo, sem nenhum dever ou direito.

Sem condições de nos submetermos as regras duras, impostas pelo sistema, somos obrigados a nos prostituir diante da sociedade, Igreja e de nossos próprios ideais.

Na outra ponta, no lado de cima, as regras sociais continuam valendo: “O Estado é juiz da liberdade de cada pessoa. Pode impor uma religião civil, necessária à sociedade, banir os que não creiam nela, condenar a morte os que, depois de aderirem à essa religião, se portem como se nela não acreditassem, pois esta atitude constitui uma porta aberta para a arbitrariedade.”

Qualquer pessoa que ameace as estruturas elitizadas da comunidade do poder, será condenado a morte. Aqueles que não concordarem com ela, deverão permanecer fora, banidos, sem direitos nem obrigações em relação á ela.

Os Estados Unidos foram os primeiros a aderir à evolução de democracia, até agora.

Na França, a principal idealizadora da nova ordem democrática, houve um princípio de mudanças, inspirados na Independência dos Estados Unidos, que por sua vez haviam se inspirado no Iluminismo, sendo apoiados pela França, em sua luta pela independência.

…mas Robespierre tornou-se um sanguinário, condenando a guilhotina todos os que lhe faziam oposição, fazendo muitos inimigos, até o golpe da burguesia.

By Jânio

março 11, 2011 Posted by | Policia | , , , , , , , , , , , , , , , , | 7 Comentários

   

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