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Fim da ocupação é único meio de garantir direitos dos palestinos, diz ONU

Da Agência EFE
Bandeira palestina é hasteada na sede da ONU (Agência Lusa/Direitos Reservados)
Bandeira palestina hasteada na sede da ONU simboliza o ideal do estabelecimento de um Estado palestino independente, vivendo em paz e em segurança ao lado de Israel EPA/Justin Lane/Ag. Lusa/Direitos Reservados

O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou, nesta segunda-feira (5), que a ocupação israelense impôs ao povo palestino “um enorme peso humanitário e de desenvolvimento”. Ele lembrou que este 5 de junho marca os “50 anos do início da guerra árabe-israelense de 1967”. Como resultado, Cisjordânia, Jerusalém Oriental, Gaza e Golã, na Síria permanecem sob ocupação. A informação é da EFE.

O chefe das Nações Unidas lamentou o fato que “centenas de milhares de palestinos e sírios” ficaram desalojados nas últimas cinco décadas, muitos vivendo em campos para refugiados e enfrentando a pobreza. Segundo  Guterres, a ocupação “alimentou ciclos recorrentes de violência”, além de enviar aos palestinos uma mensagem de que o sonho deles, de ter um Estado, parece estar destinado a ser apenas um sonho.

Dois Estados, uma solução

Na avaliação do secretário-geral da ONU, a ocupação envia aos israelenses a mensagem de que seu desejo por paz, segurança e reconhecimento regional é inatingível. Ele defende o fim da ocupação e uma solução negociada de dois Estados como “a única maneira de conseguir uma paz duradoura que vá de encontro às necessidades de segurança de Israel e às aspirações palestinas por soberania”.

Brasília - O português António Guterres foi eleito secretário-geral da ONU(Wilson Dias/Agência Brasil
António Guterres Wilson Dias/Agência Brasil

Para Guterres, acabar com a ocupação “é a única maneira de garantir os direitos do povo palestino”. Ele pede o fim da construção de assentamentos, da violência, das provocações e das atividades militares israelenses em Gaza.

O chefe da ONU acredita que agora é a hora de serem retomadas as negociações diretas, com base em resoluções das Nações Unidas e da lei internacional. É hora também “de acabar com o conflito, estabelecendo um Estado palestino independente, vivendo em paz e em segurança ao lado de Israel”.

António Guterres lembrou que em 14 de maio de 1948, nascia o Estado de Israel. Mas quase sete décadas depois, “o mundo ainda espera o nascimento de um Estado palestino independente”.

Agência Brasil
 

junho 6, 2017 Posted by | Internacional | , , | Deixe um comentário

Porque pobre só tem direito de morrer

morte do indigente

Casamento da Princesa

Se eu for profano, que Deus me perdoe, pois sei que ele sempre me entenderá, mesmo quando as palavras me faltarem.

Vendo o luxo e o brega juntos no casamento da princesa Kate Middleton, lembrei-me do casamento da princesa Diana. Enquanto todos choravam pela felicidade dela, eu não sentia nenhuma emoção, até que alguém se atreveu a me perguntar o que eu achava de tanta “beleza”.

– Eu vejo como isso começa, e já sei como vai terminar – Respondi.

A pessoa ficou decepcionada, ela me perguntara, alguns minutos antes, se a princesa seria feliz.

Muita gente amanheceu ao relento, em barracas. Essas pessoas, eu creio, precisam ver a felicidade dos outros, precisam de uma prova “real” de que a felicidade existe, para que sua vida faça sentido.

Isso é irônico, já que a monarquia é tudo o que o mundo não deseja. No Brasil temos rei do futebol, rainha dos baixinhos, rei das pistas, piscinas, laranjas, Panamericano, lotéricas…

A imprensa chega a ser hipócrita ao cobrir um evento de um sistema arcaico que eles nem deveriam considerar.

É tudo aparência – pensei – mas a mesma burguesia que teme esse sistema, sonha com essa tradição ao longo dos séculos.

O casamento com vestido branco na abadia é questão de honra, mesmo tendo os noivos morado juntos e se separado uma vez.

A monarquia mostra um costume milenar, tenta mostrar também que pode ser melhor que os novos tempos. Deixa a certeza de que algumas coisas mudam para nunca mais voltar, outras nunca mudam.

Houve um tempo assim, quando a realeza convivia com o clero e os senhores feudais, na maioria dos países, isso não existe mais. Os senhores feudais deram lugar aos burgueses, mesmo com o clube de bilderberg querendo trazer isso de volta.

A classe média mantém a sociedade em harmonia, onde a classe média alta se identifica com os donos do poder e a classe média baixa se identifica com a classe média alta.

Todos sofrem, mas uma identificação com uma classe inferior, mais sofrida, traria-lhes mais sofrimento ainda.

Para os mais pobres não resta mais nada, nem mesmo o sonho. A maioria assiste novelas para não enlouquecer.

Quem não enlouqueceria, trabalhando a vida toda, com um único direito, o direito de morrer.

Mesmo com o direito de morrer, o direito à um caixão não lhe é assegurado. Qualquer caixa de madeira resistente, desde que bem decorada, serviria, mas o evento da morte exige mais protocolo que o nascimento.

É preciso deixar claro na morte, que a vida valeu a pena. O pobre não foi honrado em toda a sua vida, mas será na morte.

Aqueles sem dinheiro para comprar um terreno no cemitério, também terão um enterro digno. Depois de algum tempo, seus restos mortais serão desenterrados e ele irá para junto de outros indigentes, como Wellington Menezes, numa vala mais profunda.

Todos os seus dirão: “Esse foi para o céu. Foi um homem honrado, lutou a vida inteira.”

…mas haverão controvérsias, nem todos acreditarão em sua ida para o paraíso.

Isso acontece porque, mesmo depois de passar a vida toda sem nenhum sonho, sofrendo nas filas de hospitais, e tantas outras filas, destinadas aos escravos modernos, o paraíso não lhe será garantido.

Seria muito fácil ir para o céu – pensam – principalmente quem nunca viu uma fila na vida.

Durante o tempo na fila, ninguém tem tempo sequer de refletir sobre os motivos que o levaram ali, quem são os verdadeiros responsáveis por essa miséria.

Mesmo assim, o paraíso não lhe está assegurado.

A Igreja é a franqueadora de Deus, e ela deixa claro que o paraíso não está assegurado a ninguém que não tenha uma vida íntegra.

Eu seria profano também, se eu me perguntasse o que Deus acha disso.

Eu cometo outras heresias, como me perguntar sobre o que é a felicidade, já que o sofrimento conduz ao paraíso, mesmo assim não me contenho.

Cada classe tem um conceito de felicidade: A felicidade de ricos banqueiros é obter financiamentos fraudulentos.

Felicidade de grandes políticos é descobrir uma brecha na lei, onde possam obter mais privilégios, nada que uma medida provisória não resolva.

Enquanto a classe média alta torra o seu dinheiro em butiques, a classe média baixa, apesar de se identificar com a alta, vive como pobre, mas com uma grande vantagem, tem férias uma vez por ano, com direito a viagem para o exterior e tudo – Quem sabe eles não possam conhecer o luxo proporcionado pelos povos ricos, não é mesmo?

Como dizia um grande humorista: “Não é todo mundo que tem o privilégio de ter uma quitinete no centro de São Paulo” – eu sei que dói, mas é engraçado, não é?

Finalizando, fica aqui mais uma frase alheia, originada do pensamento de um grande mestre Lima Barreto.

“O Brasil não tem povo, tem público.”

By Jânio

abril 30, 2011 Posted by | Reflexões | , , , , , , , , , | 14 Comentários

   

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