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EEUU al borde del desastre

abril 17, 2017 Posted by | Espanhol | , , | Deixe um comentário

A tragédia do Rio é a maior desde a década de sessenta

enchentes são paulo

tragédia do Rio

Enquanto o Brasil inteiro chora a tragédia do Rio de Janeiro e São Paulo, algumas lembranças passam pela minha cabeça, desde a primeira tragédia que eu acompanhei, até hoje. Em cada tragédia, houve uma reflexão.

Por ser a primeira que eu acompanhava, as enchentes do verão de  83/84, deixaram um trauma.

O Sul do Brasil ficou todo alagado, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, houve muita solidariedade e campanhas para se conseguir o essencial, àgua, alimentos não perecíveis, roupas, colchões e cobertas. Logo depois das enchentes, várias lojas de roupas usadas surgiram em minha cidade, evidentemente, em minha cidade não houve enchentes, já que é uma cidade muito alta.

Algum tempo depois, houve um período de muita chuva, mas parece que os empresários da cidade agiram rápido. Antes que as pessoas se revoltassem, já que a chuva deixava todas essas pessoas sem casa e sem alimento, encontraram uma maneira de acalmar a população.

Foi criado uma campanha, onde era servido sopas todos os dias, enquanto durassem as chuvas. A igreja, sempre ela, entrou com o know how, os empresários entraram com a logística e uma parte financeira. 

Feito isso, foi só rezar para que São Pedro terminasse a chuva logo, como de fato ocorreu.

Aqui, fazemos uma pausa para analisar a fragilidade de nosso sistema semi-escravagista, ou semi-escravista. Onde todos vivem no limite, sem nenhuma reserva, provisão, totalmente dependentes da vontade alheia e do sistema.

Normalmente, as chuvas não duram muito, nem por isso as tragédias são menos chocantes, há pouco tempo tivemos a tragédia em Angra dos Reis.

Santa Catarina sofreu dois anos seguidos, no segundo ano, muita gente já havia desistido de morar na região catarinense que mais oferece oportunidades de trabalho no Brasil.

Depois da tragédia de Santa Catarina, veio a tragédia do nordeste. Penso que se houvesse boa vontade e consciência das autoridades, caso houvessem reservatórios gigantescos no nordeste, haveria água reservada para pelo menos dez anos seguidos.  

Reservatórios de água não resolveriam os problemas das enchentes, mas, pelo menos demonstraria uma preocupação por parte do Governo, coisa que eles não tem.

Se o Governo não tem consciência, a população deve estar ciente de que morar em morros e à beira de barrancos, estará correndo perigo, pelo menos que mantenham as famílias afastadas.

Tanto no caso de Angra dos Reis, quanto agora, Rio e São Paulo, a tragédia atingiu uma região onde se concentram a nata da mídia, onde as pessoas tem se manifestado inclusive pela internet. Na internet as informações tem sido mais objetivas, com nomes, mapas, localização, etc.

As mídias de massa preferem mostrar os  mortos e as tragédias, já que isso dá mais IBOPE.

Pelo menos em uma ocasião, o feitiço virou contra o feiticeiro. Boatos de que uma caixa de água havia se rompido, pegou toda a imprensa em seu momento mais peculiar, como abutres em cima da carniça, foi deprimente.

Aqui, vale a pena fazer mais uma pausa, lembrando mais um capítulo da guerra das duas maiores redes de TV do país.

Pouco tempo depois de uma repórter ser presa, acusada de fazer acordo com bandidos, para divulgar notícias em primeira mão, a rival divulgou os depoimentos de um comentarista concorrente, com um discurso com a cara da elite, algo como: “É isso  que dá financiar carros novos, para pessoas que nunca leram um livro”, o comentarista foi demitido, a jornalista presa.

Foi por causa de comentários preconceituosos como esse, que toda a internet brasileira ficou publicando em espanhol, durante vinte e quatro horas, recentemente, lembram-se?

As enchente, Deus nos livre, deverá ser uma constante, principalmente em áreas de risco. Naturalmente, a covardia dos políticos será um empecilho para se tomar uma atitude séria, já que isso implicaria em financiamentos de novas casas próprias.

Eu me lembro que em minha cidade, havia um fundo de calamidades, esse fundo nunca foi usado, exceto para cobrir o rombo de um desvio de verbas que deixara todos os professores sem pagamento, durante três meses. Isso me deixa com a certeza de que o Governo deveria agir de maneira mais eficiente, inclusive com a imprensa, para evitar a onda de boataria, e exigindo responsabilidades.

A coordenação emergencial deveria ser feita de fora, pelo governo estadual, já que em pelo menos uma cidade, até o Prefeito estava desaparecido.

As ONGs mantidas por voluntários e donativos particulares, tem experiência em situações como essa, sabem exatamente o que deve ser feito, mais uma vez o que falta é a boa vontade do poder público.

É triste vivenciar uma calamidade como essa, principalmente, sabendo que essas calamidades estão se tornando cada vez mais frequentes.

Essa é a pior maneira de descobrirmos  que todos estamos sujeitos às calamidades, como são unânimes em reconhecer, as vítimas das enchentes.

Enquanto nos noticiários, divulgam que essa é a pior tragédia desde a década de sessenta – as filas em portas de hospitais não conta, só as tragédias naturais – penso que a frequência com que essas tragédias tem ocorrido, é ainda mais preocupante.

A pergunta que fica é: Quando isso vai acontecer conosco?

No Nordeste, uma região sem nenhum recurso, os poucos helicópteros que sobrevoavam a área afetada era da mídia, só eles tinham interesse na tragédia.

By Jânio

janeiro 15, 2011 Posted by | Reflexões | , , , , , , , , , , | 9 Comentários

   

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