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Renato Teixeira – O compositor de Carga Pesada

musica caipira

Carga Pesada

Renato Teixeira é considerado um dos maiores compositores da história da música brasileira. Sendo um grande defensor da música caipira, apesar de nunca ter morado no campo, aqui começam as contradições.

Sua ligação com o Universo Caipira seria mais através da música, e a música é coisa de família, é sagrada.

Para quem acha que ele não tem contato com a vida de interior, é justamente daí que vem suas inspirações. O caso mais recente, sua parceria com outro grande nome da música, Almir Sáter, mostra onde ele busca suas inspirações, suas influências.

Se de um lado ele faz parte de um movimento contra a banalização da música caipira, com objetivos comerciais; ele próprio já compôs jingles, por outro lado, ele não se prende às fronteiras nacionais, vai mais além.

Vendo suas músicas, parece que esse compositor tem mais de duzentos anos, mas sua carreira ainda é recente. O compositor não é tão antigo assim, apesar de suas façanhas.

Por exemplo:

Romaria foi tema de estudos em escolas, na década de setenta. A música foi gravada por Elis Regina e se tornou um dos maiores clássicos da história da música.

O Rio de Piracicaba é uma da músicas mais tocadas da história do rádio, mas pouca gente sabe quem é o autor. Na realidade, nem eu sei quais são suas músicas; para conhecer toda a sua obra, só pela internet.

Como cantor, já gravou com os maiores cantores do Brasil, isso aumenta ainda mais a confusão, fica muito difícil saber qual música é dele e qual não é.

Caso queira descobrir quais das músicas são suas, é só ver quais são as melhores.

Suas músicas não são exatamente aquelas das novelas das oito, por isso suas músicas são mais conhecidas que o próprio autor. Esse é o caso de Frete, do seriado Carga Pesada, onde o melhor era a música.

O tema do programa “Som Brasil” também era dele, cantada por Rolando Boldrin. Rolando Boldrin, inclusive, segundo fofocas da época, era um grande crítico da música sertaneja, em oposição a música regional (caipira) – Entendeu? – nem eu.

Recentemente, Renato Teixeira gravou com uma dupla muito criticada pelo movimento de música regional, contrariando as expectativas.

Sua grande parceria com Almir Sater, rendeu a eles, ou para nós, dois dos maiores clássicos da música brasileira, imortalizadas por uma novela da antiga TV Manchete, Pantanal.

A composição mais curiosa de sua carreira, além dos jingles para publicidade, foi a música feita para Joana, onde seu alter ego (personagem) era feminino. A música foi feita sob encomenda, pela própria cantora,  e deu muito certo.

Veja sua poesia …digo … suas músicas.

ROMARIA

Renato Teixeira

É de sonho e de pó, o destino de um só
Feito eu perdido em pensamentos
Sobre o meu cavalo
É de laço e de nó, de gibeira o jiló,
dessa vida cumprida a só

Refrão
Sou caipira, Pirapora Nossa
Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida

O meu pai foi peão, minha mãe solidão
Meus irmãos perderam-se na vida
Em busca de aventuras
Descasei, joguei, investi, desisti
Se há sorte eu não sei, nunca vi

Me disseram porém que eu viesse aqui
Pra pedir de romaria e prece
Paz nos desaventos
Como eu não sei rezar, só queria mostrar
Meu olhar, meu olhar, meu olhar
TOCANDO EM FRENTE

Almir Sater e Renato Teixeira

Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais

Hoje me sinto mais forte,
Mais feliz, quem sabe,
Eu só levo a certeza
De que muito pouco sei,
Ou nada sei

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder seguir
É preciso chuva para florir

Sinto que seguir a vida
Seja simplesmente
Conhecer a marcha
E ir tocando em frente

Como um velho boiadeiro
Levando a boiada
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada, eu vou
Estrada eu sou

Cada um de nós compõe
A sua própria história
E cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
De ser feliz

Todo mundo ama um dia,
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
E no outro vai embora

RIO DE LÁGRIMAS

Renato Teixeira

O rio de Piracicaba
Vai jogar água pra fora
Quando chegar a água
Dos olhos de alguém que chora

Lá no bairro onde eu moro
Só existe uma nascente
A nascente dos meus olhos
Já formou água corrente

Pertinho da minha casa
Já formou uma lagoa
Com lágrimas dos meus olhos
Por causa de uma pessoa

Eu quero apanhar uma rosa
Minha mão já não alcança
Eu choro desesperado
Igualzinho a uma criança

Duvido alguém que não chore
Pela dor de uma saudade
Eu quero ver quem não chora
Quando ama de verdade

O VIOLEIRO TOCA

Almir Sater e Renato Teixeira

Quando uma estrela cai
No escurão da noite
E um violeiro toca suas mágoas
Então os olhos dos bichos
Vão ficando iluminados
Rebrilham neles estrelas
De um sertão enluarado

Quando um amor termina
Perdido numa esquina
E um violeiro toca sua sina
Então os olhos dos bichos
Vão ficando entristecidos
Rebrilham neles lembranças
Dos amores esquecidos

Tudo é sertão, tudo é paixão
Se um violeiro toca
A viola e o violeiro
E o amor se tocam

Quando um amor começa
Nossa alegria chama
E um violeiro toca em nossa cama
Então os olhos dos bichos
São os olhos de quem ama
Pois a natureza é isso
Sem medo, nem dó, nem drama…

AMANHECEU, PEGUEI A VIOLA

Renato Teixeira

Amanheceu eu peguei a viola
Botei na sacola e fui viajar

Sou cantador e tudo nesse mundo
Vale prá que eu cante e possa praticar
A minha arte sapateia as cordas
E esse povo gosta de me ouvir cantar

Amanheceu…

Ao meio dia eu tava em Mato Grosso
Do Sul ou do Norte, não sei explicar
Só sei dizer que foi de tardezinha
Eu já tava cantando em Belém do Pará

Amanheceu…

Em Porto Alegre um tal de coronel
Pediu que eu musicasse uns versos que ele fez
Para uma china, que pela poesia
Nem lá de Pequim se vê tanta altivez

Amanheceu…

Parei em Minas prá tocar as cordas
E segui direto para o Ceará
E no caminho fui pensando, é lindo
Essa grande aventura de poder cantar

Amanheceu…

Chegou a noite e me pegou cantando
Num bailão, lá no norte do Paraná
Daí prá frente ninguém mais se espanta
E o resto da noitada eu não posso contar

Anoiteceu e eu voltei prá casa
Que o dia foi longo e o sol quer descansar

FRETE

Renato Teixeira

Eu conheço cada palmo desse chão
É só me mostrar qual é a direção
Quantas idas e vindas meu deus quantas voltas
viajar é preciso é preciso
Com a carroceria sobre as costas
vou fazendo frete cortando o estradão

Eu conheço todos os sotaques
Desse povo todas as paisagens
Dessa terra todas as cidades
Das mulheres todas as vontades
Eu conheço as minhas liberdades
Pois a vida não me cobra o frete

Por onde eu passei deixei saudades
a poeira é minha vitamina
Nunca misturei mulher com parafuso
mas não nego a elas meus apertos
Coisas do destino e do meu jeito
sou irmão de estrada e acho muito bom

Eu conheço todos os sotaques
desse povo todas as paisagens
Dessa terra todas as cidades
das mulheres todas as vontades
Eu conheço as minhas liberdades
pois a vida não me cobra o frete

Mas quando eu me lembro lá de casa
a mulher e os filhos esperando
Sinto que me morde a boca da saudade
e a lembrança me agarra e profana
o meu tino forte de homem
e é quando a estrada me acode

Eu conheço todos os sotaques
desse povo todas as paisagens
Dessa terra todas as cidades
das mulheres todas as vontades
Eu conheço as minhas liberdades
pois a vida não me cobra o frete

RECADO (MEU NAMORADO)

Renato Teixeira

Mandei um recado
Pro meu namorado
Nos classificados
De um grande jornal
Pedindo pra ele
Que um dia apareça
Antes que eu mE esqueça
E melhore
O astral
Meu namorado é um sujeito ocupado
Não manda notícias
Nem dá um sinal
Eu ando meio com medo
Que um dia ainda ache
A tristeza normal

Pensei num caminho
Que fosse seguro
Num bom casamento
Na vida do lar
Eu sou do subúrbio
E sei que o destino prá nós é bem simples
Não vai variar

Meu namorado…

O tempo me dado
Pra andar nessa terra
É um tempo de guerra
Um tempo cruel
Até os amores
São tão mal cuidados
Que acabam virando
Uma coisa banal

Meu namorado…

Texto de introdução: By Jânio

outubro 10, 2010 Posted by | Música. | , , , , , , , , , , , , , | 6 Comentários

Pedro Malazartes vai para o céu

sertão

imagens sertanejas

Depois de muito perambular pelo mundo, Pedro Malasartes morre. O eterno caipira, tão falado e comentado, nos três cantos do Brasil, vai para o céu.

Pedro sentia que alguma coisa não estava certa, tudo estava calmo demais, chegou até a pensar que estava dormindo, mas era o branco, havia branco por toda parte. Pedro sempre foi informal, sempre andou todo mal trapilho, exceto em um alguns bons momentos, onde o malandro se deu muito bem.

Será que alguém estava casando, afinal de contas, porque havia tanto branco naquele lugar.

Ao avistar um senhor idoso, numa velha porteira, finíssima por sinal, Perguntou.

– Sim siôr, será que tem argum trabaio preu fazê por aqui?

O homem respondeu:

– Aqui não, aqui todos descansam em paz.

Pedro pensou que esse era o lugar dos sonhos, só poderia estar sonhando, não pode haver um lugar desse.

– Se o Siôr me permite, eu vô entrá pra dá umas proza com o dono da fazenda.

O homem se alterou na hora:

– Está ficando louco? – aqui o senhor não entra não, ainda mais com a sua fama, Senhor Pedro Ma-la-zar-tes.

Pedro não gostava muito de sua fama de malandro ter se espalhado por todo o Brasil.

– Por gentileza, em que parte do Brasil nóis tâmu.

– Aqui não é o Brasil não, senhor Pedro – falou o homem.

Pedro começou a ficar curioso, será que sua fama já tinha ultrapassado fronteiras – pensou ele.

– O Siôr pode me dizer que lugar é esse, que eu não estou reconhecendo?

– O Senhor está no céu – tornou a falar o homem.

Pedro teve uma sensação a qual nunca havia experimentado antes.

– Eh! Diacho! eu acho que eu tõ te conhecendo xará, o Siôr é São Pedro?

– Isso mesmo – respondeu o homem – e o senhor não pode entrar no céu, é uma má influência.

Pedro pensou, pensou e perguntou.

– Intão o Siôr não vai querer saber a notíça boa que eu tenho pro Siôr?

– Que notícia?

– Dispois que o Siôr saiu da Terra, ela mudou muito. O Siôr tá muito bem lá.

– O Senhor pode me dizer como eu estou lá?

– Só se o Siôr deixar eu entrar.

– Está bem entra logo, mas se a notícia não for boa vai se dar muito mal.

Depois que entrou, Pedro olhou todo feliz, para São pedro e disse.

– Dispois que o Siôr deixou a Terra, sua fama se ispaiô pelo mundo todo, o Siôr se tornô um dos hôme mais rico da Terra.

Sem pôder acreditar, São Pedro disse:

– O Senhor pode me explicar melhor isso?

_ ixplicá não, mas o siôr é muito rico. Por toda parte há fazendas São Pedro, sítios São Pedro, lojas São pedro, e outra infinidades de bens, impossível de se contar.

São pedro ficou todo feliz e procurou Jesus, finalmente seu valor havia sido reconhecido. Sabendo disso, Jesus procurou Pedro, e perguntou.

– Senhor Pedro, fiquei sabendo que o meu melhor discípulo ficou rico na Terra, gostaria de saber como está meu nome, poderia me dizer?

Pedro coçou a cabeça, fez uma cara de dar dó, uma careta que ele sabia fazer muito bem, e respondeu.

– É mió o Siôr não vortá lá na Terra não?

Jesus perguntou:

– Porque não?

Pedro malazartes respondeu quase chorando.

– Não é certo o que tão fazeno com o Siôr não. O Siôr tem a maió dívida do mundo, maió que todas as dívidas externas de todos os países juntos.

– Como assim Senhor Pedro?

– Tudo o que fazem, ou compram, deixam para o Siôr pagar, até favô. Argumas pessoas falam, Deus lhe pague, outras, Deus te ajude, Deus te dará em dobro. O Siôr está com uma dívida enorme.

By Jânio

Foto Wikipedia

dezembro 27, 2009 Posted by | Piadas | , , , , , , , , | 10 Comentários

   

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