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A história da Rede Globo

Chegou a Hora

CPI da Globo

As críticas à Rede Globo referem-se ao extenso histórico de controvérsias nas relações desta rede de televisão brasileira com a sociedade do país. A emissora possui uma capacidade sem paralelo de influenciar a cultura e a opinião pública.
A principal polêmica histórica da estação televisiva e das Organizações Globo está ligada ao apoio dado à ditadura militar e a censura dos movimentos pró-democracia nos noticiários do canal. O regime, segundo os opostos à emissora, teria rendido benefícios ao grupo midiático da família Marinho, em especial para o canal de televisão que, em 1984, fez uma cobertura omissa das Diretas Já.  A própria Globo reconheceu em editorial lido no Jornal Nacional, 49 anos depois e pressionada pelas manifestações de junho de 2013, que o apoio ao golpe militar de 1964 e ao regime subsequente foi um “erro”.
No final da década de 1980, a emissora novamente foi alvo de críticas devido à edição que promoveu do último debate entre os candidatos a presidente na eleição de 1989, o que teria favorecido Fernando Collor de Mello. No final da década de 1990, as Organizações Globo enfrentaram diversos problemas financeiros que teriam sido aliviados pelo Estado, apesar de se tratar de uma empresa privada. Durante o período, a emissora utilizou-se de sua influência entre os políticos para conseguir mudar um artigo da Constituição Federal, no qual permitia a entrada de 30% de capital estrangeiro nas empresas de mídia.
Em 2002, o governo federal ofereceu ajuda de 280 milhões de reais à Globocabo através de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).  A emissora voltou novamente a ser alvo de críticas pela cobertura supostamente tendenciosa das eleições de 2006 e 2010. Mais recentemente, foi revelado que as Organizações Globo possuem irregularidades junto à Receita Federal. Entre 2010 e 2012, o conglomerado foi notificado 776 vezes por sonegação fiscal.
“Participamos da Revolução de 1964, identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada. Quando a nossa redação foi invadida por tropas anti-revolucionárias, mantivemo-nos firmes em nossa posição. Prosseguimos apoiando o movimento vitorioso desde os primeiros momentos de correção de rumos até o atual processo de abertura, que se deverá consolidar com a posse do novo presidente.”
— Roberto Marinho, no jornal O Globo, edição n° 1.596, 7 de outubro de 1984.
A Rede Globo foi fundada em 1965, um ano após o golpe de estado de 1964 e se consolidou como maior rede de televisão do país durante a década de 1970. Neste período, o regime militar implementou uma política de modernização das telecomunicações. Em 1965, criou a Embratel, ao passo em que o Brasil se associou à Intelsat.12 Em 1968, foi criado o Ministério das Comunicações e, no mesmo ano, surgiram as primeiras emissoras de rádio FM e foi criada a AERP (Assessoria Especial de Relações Públicas), que reforçava a necessidade de propagar ideais ufanistas e nacionalistas. Em 1969, o país se integra ao sistema mundial de comunicação por satélite. A intenção do regime era se opôr à hegemonia cultural caracteristicamente de esquerda da época. Uma de suas armas para isso teria sido a televisão, tendo o regime feito vistas grossas à parceria, vetada por lei, entre Roberto Marinho e a multinacional Time-Life, o que contribuiu para o salto tecnológico da Rede Globo.12
Segundo as Organizações Globo, O Globo apoiou o golpe militar de 1964 fazendo parte de um “posicionamento amplamente majoritário” contra o governo do presidente João Goulart.13 Afirma também que Roberto Marinho acreditava na vocação democrática do presidente Castello Branco e na eficácia da política econômica desenvolvida por Roberto Campos e Octavio Gouvêa de Bulhões. No entanto, o grupo nega que o crescimento da Rede Globo se deu graças à estreita ligação de Roberto Marinho com o regime implantado em março de 1964, citando como exemplos disso a dificuldade em obter concessões para canais de televisão em João Pessoa e Curitiba em 1978, alguns casos de censura a sua programação, além do fato de que alguns de seus profissionais eram membros do Partido Comunista Brasileiro.13 No entanto, como apontou Renato Ortiz, a censura não era generalizada, uma vez que “sua principal função era impedir a emergência de determinadas ideias, notícias, publicações que estivessem contrárias à lógica ditatorial de difundir ideais de progresso, harmonia e desenvolvimento”.
Em sua autobiografia, no entanto, Walter Clark, diretor-geral da Rede Globo, confessou ter cancelado os programas de Carlos Heitor Cony e Roberto Campos para satisfazer o coronel Gustavo Borges, chefe de polícia no estado do Rio de Janeiro. Além disso, Clark afirmou ter contratado um ex-diretor da censura para “ler tudo que ia para o ar” e uma “assessoria especial” formada pelo general Paiva Chaves, pelo civil linha-dura Edgardo Manoel Erickson (“pelego dos milicos”, conforme disse) e mais “uns cinco ou seis funcionários”. Além disso, relatou receber o presidente Emílio Garrastazu Médici em seu gabinete na Globo, onde assistiam aos jogos de futebol exibidos pela emissora aos domingos. Segundo ele, o denominado “padrão Globo de qualidade” acabou “passando por vitrine de um regime com o qual os profissionais da TV Globo jamais concordaram”.
Em entrevista ao documentário britânico Beyond Citizen Kane, o ex-ministro da Justiça (1974-1979) Armando Falcão afirmou que “o doutor Roberto Marinho nunca me criou qualquer tipo de dificuldade. Eu, ministro-censor, ele diretor do Globo, da televisão Globo, da Rede Globo, da Rádio Globo, da Rádio Mundial, da Rádio Eldorado, ele nunca me criou dificuldade”.  O próprio Médici chegou a afirmar, sobre o Jornal Nacional, em entrevista: “Sinto-me feliz todas as noites quando ligo a televisão para assistir ao jornal. Enquanto as notícias dão conta de greves, agitações, atentados e conflitos em várias partes do mundo, o Brasil marcha em paz, rumo ao desenvolvimento. É como se eu tomasse um tranqüilizante após um dia de trabalho”. Em 2012, um ex-delegado do Dops relatou a proximidade entre o regime e a Globo.
Em 2013, as Organizações Globo reconheceram e desculparam-se publicamente, através de um editorial publicado no jornal O Globo e que também foi lido por William Bonner durante o Jornal Nacional, por terem apoiado a ditadura militar instaurada no país depois do golpe militar de 1964. No texto do editorial, o jornal afirma: “À luz da História, contudo, não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio [ao golpe de 1964] foi um erro, assim como equivocadas foram outras decisões editoriais do período que decorreram desse desacerto original. A democracia é um valor absoluto. E, quando em risco, ela só pode ser salva por si mesma.”

Diretas Já

Comício das Diretas Já em 16 de abril de 1984 em São Paulo.
No dia 25 de janeiro de 1984, foi ao ar, pela primeira vez em rede, aquele que é considerado o primeiro grande comício das Diretas Já, realizado na praça da Sé, em São Paulo. Naquele dia, o telejornal exibiu reportagem de dois minutos e dezessete segundos sobre o tema. No entanto, ocorreu um equívoco durante a escalada do Jornal Nacional; 25 de janeiro é também o dia do aniversário da cidade de São Paulo, e por conta de um suposto erro técnico, o apresentador do telejornal acabou anunciando o comício como parte das comemorações dos 430 anos da cidade. A emissora recebeu críticas que diziam que não havia sido uma falha técnica, mas sim uma manipulação de dados.
José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, ex-vice-presidente das Organizações Globo afirmou, em entrevista a Roberto D’Ávila em 2005, que foi Roberto Marinho quem determinou a censura do primeiro grande comício das Diretas Já.  Segundo Boni, “o doutor Roberto não queria que se falasse em Diretas Já” e decidiu que o evento da praça da Sé fosse transmitido “sem nenhuma participação de nenhum dos discursantes”.  O que teria ocorrido no episódio, ainda de acordo com ele, foi uma “censura dupla” (por parte do regime e da emissora). A versão oficial da Globo, relatada no livro Jornal Nacional – A Notícia Faz História, porém, é de que a emissora não omitiu que o comício fizesse parte das Diretas e que é falsa a versão de que emissora noticiou o evento como parte das comemorações pelo aniversário da cidade de São Paulo.

 Caso Proconsult
Em 1982, a Globo teria tido participação no chamado caso Proconsult, uma tentativa de fraudar as eleições para o governo do Rio de Janeiro, impossibilitando a vitória de Leonel Brizola, candidato do Partido Democrático Trabalhista (PDT). A empresa Proconsult, contratada pela Justiça Eleitoral para apurar os votos do pleito, desenvolveu um sistema informatizado de apuração dos votos que, no entanto, não batia com a apuração paralela divulgada pelo Jornal do Brasil e comandada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim. A Globo, que havia publicado editorial favorável ao candidato Moreira Franco na véspera da votação, se ateve à apuração oficial divulgada pelo Proconslt.
Segundo o jornalista Hélio Fernandes, da Tribuna da Imprensa, a fraude só não se concretizou devido à participação do delegado da Polícia Civil Manoel Vidal, escalado para fiscalizar a apuração. Vidal percebeu que havia algo de errado na apuração tendo, em seguida, contatado o também delegado Arnaldo Campana, ligado a Brizola.  O candidato do PDT, censurado nos veículos das Organizações Globo, concedeu uma entrevista aos correspondentes estrangeiros explicando a situação que ocorria. A fraude foi exposta e os jornalistas do conglomerado foram hostilizados nas ruas do Rio de Janeiro. Por outro lado, a emissora respondeu que “nunca contratou a Proconsult” e “se baseava nos números de O Globo, responsável por uma totalização própria, realizada a partir dos mapas oficiais apurados pelo TRE”.

Caso NEC

Durante o regime militar, a NEC Brasil foi obrigada a nacionalizar seu capital. Por isso, cedeu o controle acionário da empresa ao grupo Brasilinvest de Mário Garnero. À época da redemocratização, a NEC Brasil havia se tornado a maior fornecedora de equipamentos de telecomunicação para o governo brasileiro. Em 1986, o então ministro das Comunicações Antônio Carlos Magalhães criou dificuldades econômicas para a NEC Brasil ao suspender os contratos do governo com a empresa, cujo principal cliente era o governo federal. Com o grupo em crise, a NEC do Japão recomprou as ações da NEC Brasil e as vendeu para as Organizações Globo por um milhão de dólares. Logo em seguida, ACM restabeleceu os contratos e a empresa passou a valer 350 milhões de dólares.
Em dezembro de 1986, depois de ACM ter ajudado as Organizações Globo a comprar as ações da NEC Brasil, a Globo concedeu a ACM o direito de tornar sua emissora de televisão na Bahia uma afiliada da Globo, o que ocorreu em janeiro de 1987, um mês após o acordo NEC-Globo. O acordo NEC-Globo foi noticiado na época pela imprensa brasileira (até na própria Globo e na TV Bahia) inicialmente como legal. Porém o acordo ficou sob suspeita quando a TV Bahia deixou inesperadamente de retransmitir o sinal da Rede Manchete para retransmitir o da Globo em janeiro de 1987. A situação gerou um processo dos proprietários da TV Aratu, retransmissora da Globo na Bahia por 18 anos, contra os donos da TV Bahia, mas a contenda judicial terminou três dias depois, quando ficou acordado que a TV Bahia retransmitiria a Globo e, a TV Aratu, a Manchete. A quebra de contrato unilateral por Roberto Marinho ocasionou uma queda de 80% na arrecadação da TV Aratu.
As suspeitas contra o acordo NEC-Globo só vieram a tona nacionalmente com as primeiras denúncias de corrupção do Governo Collor em 1992. Com o fim das empresas do Grupo Telebrás, as Organizações Globo venderam suas ações na NEC Brasil, que teve seu apogeu durante o monopólio estatal das telecomunicações. As operadoras europeias e norte-americanas que compraram as empresas telefônicas estatais optaram por manter seus parceiros ocidentais na área de tecnologia, e a NEC teve sua presença no mercado reduzida. Atualmente, o capital da NEC Brasil pertence 100% à NEC do Japão.

Eleições de 1989 e Impeachment

Fernando Collor de Mello teria sido favorecido pela Rede Globo em detrimento de Luiz Inácio Lula da Silva.

A emissora é acusada de ter ajudado a eleger o candidato a presidente Fernando Collor de Mello (dono da TV Gazeta de Alagoas, retransmissora da Globo) nas eleições de 1989, através da manipulação de trechos do último debate entre Collor e o candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva. Na época do debate, já no segundo turno, as pesquisas apontavam um empate técnico entre os dois candidatos; logo, o confronto na televisão seria decisivo para definir a disputa. Lula se saiu mal no debate, fato reconhecido pelo seu próprio partido.
A Rede Globo, que procurou a isenção na cobertura do processo eleitoral, parece ter assumido um lado na reta final da disputa. Foram exibidas duas reportagens sobre o debate no dia de dezembro de 1989, antevéspera do segundo turno das eleições. Uma delas foi ao ar no Jornal Hoje e, a outra, no Jornal Nacional, sendo essa a mais polêmica. A primeira reportagem mostrou as melhores intervenções de cada candidato e a segunda teria favorecido Collor, pois teria mostrado os melhores momentos dele e os piores de Lula. O PT moveu uma ação no Supremo Tribunal Federal contra a Globo. O partido queria que novos trechos do debate fossem exibidos, a título de direito de resposta, mas o pedido foi negado.
A Globo sempre negou que agiu de má-fé no episódio, mas admite que a edição não foi equilibrada. Segundo Boni, a Central Globo de Jornalismo fez uma edição favorável a Collor, não seguindo a orientação da direção da empresa para que o tratamento fosse imparcial. Já Roberto Marinho, diante da declaração de Boni, afirmou que o então vice-presidente das Organizações Globo não entendia de eleições e que o Jornal Nacional tinha sintetizado de maneira correta o debate, visto que Collor havia se saído melhor. Em 2009, Collor admitiu que foi favorecido pela Globo na disputa.
Grande parte da mídia apoiou abertamente a campanha de Collor à presidência. No entanto, de acordo com o historiador Gilberto Maringoni, doutor em História pela USP, por incapacidade de manter maioria no Congresso e por entrar em confronto com uma parte expressiva do empresariado nacional, Collor acabou por influenciar por si só a mudança de postura da imprensa. A crise econômica com a volta da inflação, uma das consequências do confisco da poupança, e a intensa cobertura investigativa da imprensa ajudaram a impulsionar as manifestações sociais que culminaram no impeachment.

Direito de resposta de Leonel Brizola

Leonel Brizola recebeu direito de resposta a ser veiculado pelo Jornal Nacional após dois anos de disputa judicial.
Em 15 de março de 1994, a Rede Globo colocou no ar, durante o Jornal Nacional, o direito de resposta obtido pelo então governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, após dois anos de disputa judicial.32 Brizola havia entrado na Justiça contra a Globo em 1992, depois que o jornalístico de 6 de fevereiro daquele ano divulgou trechos do editorial que seria publicado no dia seguinte pelo jornal O Globo, intitulado “Para entender a fúria de Brizola”. O governador do Rio, que queria impedir a emissora de transmitir o desfile das escolas de samba daquele ano, era acusado pelo editorial do jornal carioca de sofrer “declínio da saúde mental” e de “deprimente inaptidão administrativa”.
Na resposta que foi ao ar, lida pelo locutor Cid Moreira, Brizola dizia não reconhecer na Globo “autoridade em matéria de liberdade de imprensa” e que a emissora teve “longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura de 20 anos que dominou nosso país”. Brizola dizia ter sido “apontado como alguém de mente senil”. Na sequência, argumentava: “Ora, tenho 70 anos, 16 a menos que meu difamador, Roberto Marinho, que tem 86 anos. Se é este o conceito que tem sobre os homens de cabelos brancos, que os use para si”. O portal Observatório da Imprensa avaliou que “a contribuição de Brizola ao país, no campo da política e do avanço social, nunca foi grande coisa […] mas esse célebre episódio foi uma espécie de divisor de águas no capítulo da liberdade de imprensa. Soou como uma senha para a multiplicação de ações e para a escalada de condenações de jornais e jornalistas que se seguiu”.

Eleições de 2006

De acordo com a revista CartaCapital, o Jornal Nacional não informou sobre a tragédia do Voo Gol 1907, mas focou toda a sua edição no “Escândalo do Dossiê”.

Houve várias críticas à forma como a Globo fez a cobertura das eleições gerais de 2006. A emissora teria atuado para prejudicar a campanha do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, dando atenção exagerada a fatos negativos envolvendo o PT. Luiz Carlos Azenha, o repórter destacado para cobrir a campanha presidencial do candidato tucano Geraldo Alckmin, confirma que houve a intenção de prejudicar o PT na cobertura. Segundo ele, “tinha sido determinado desde o Rio que as reportagens de economia deveriam ser esquecidas porque supostamente poderiam beneficiar a reeleição de Lula”. Além disso, Azenha afirma que uma reportagem de sua autoria potencialmente danosa para o então candidato a governador de São Paulo, José Serra, foi censurada pela Globo. As críticas à forma como estava cobrindo as eleições levaram a emissora a fazer, internamente, um frustrado abaixo-assinado em apoio a sua linha editorial.

O evento mais comentado pelos críticos foi quando, na véspera da votação do primeiro turno, a Rede Globo deu enorme destaque à imagem do dinheiro que havia sido apreendido no contexto do Escândalo do Dossiê.

Hoje é sabido que o delegado da PF que havia comandado a operação convidou quatro jornalistas para uma conversa reservada e repassou os CDs com as fotos. A conversa foi inteiramente gravada e nela se pode ouvir os apelos do delegado para que as imagens fossem parar na edição do Jornal Nacional do mesmo dia, 29 de setembro. No caso da Rede Globo, ressalta-se que, na mesma noite em que exibiu as fotos, o telejornal se absteve de informar sobre a tragédia do Voo Gol 1907, em que morreram 154 pessoas. Assim, ao mesmo tempo em que a notícia já repercutia no mundo inteiro, a edição ao vivo do jornal se dedicava somente a dar destaque à divulgação do escândalo político. Por outro lado, segundo publicado pela emissora no Memória Globo, era “impossível dar a notícia durante a exibição do jornal, já que não haviam informações concretas sobre o acidente”:
“ Os rumores de que um avião da Gol não pousara no horário certo em Brasília chegaram à redação do Jornal Nacional por volta de 20h10, quando o telejornal já estava no ar. A partir desses rumores, iniciou-se uma corrida frenética para verificar o que houve com o avião, com exatidão, para que não se criasse pânico na população. A primeira confirmação era de que, de fato, um avião da Gol estava desaparecido desde as 18h10, mas a Infraero não confirmava a rota nem o número do voo. Sem essas informações, era impossível divulgar uma informação sobre o avião desaparecido, sem provocar grande angústia em todos aqueles que tinham parentes ou amigos voando Gol. Não eram poucos: no dia 29 de setembro de 2006, 54 aviões da Gol levantaram voo. Cada um deles podia levar até 144 passageiros; a ocupação média era de 80% dos assentos. A Gol calcula que transportou naquele dia 6.200 pessoas. Não divulgar o número do voo ou a rota seria colocar sob suspeição todos os 54 voos, um procedimento que um telejornal líder de audiência, visto por milhões, não pode fazer. Enquanto esteve no ar, até as 20h45, o Jornal Nacional, e nenhum outro telejornal de outra emissora, conseguiu esses dados. ”
Algumas semanas após o fim das eleições, Rodrigo Vianna, repórter que estava se desligando da emissora, divulgou uma carta aberta onde critica várias das posturas da emissora durante o período eleitoral, dando sua visão de como os processos se davam internamente. Na carta, Vianna diz, assim como Azenha, que a direção da emissora barrou reportagens e investigações que envolvessem o PSDB e o então candidato ao governo de São Paulo, José Serra. Segundo ele, alguns jornalistas questionaram as opções editoriais da Globo, mas não receberam respostas convincentes de seus superiores. Logo após as eleições, Vianna foi afastado da cobertura política e destacado para atuar nos jornais locais. O comentarista político Franklin Martins, que mais tarde se tornaria Secretário de Comunicação Social de Lula, também foi afastado. Segundo Vianna, “Do Bom dia Brasil ao Jornal da Globo, temos um desfile de gente que está do mesmo lado”.

Jingle de aniversário
Em 18 de abril de 2010, a emissora lançou, no Fantástico, uma campanha em comemoração aos seus 45 anos de rede, que aconteceria em 26 de abril daquele ano. O logotipo da emissora aparecia ao lado do número quarenta e cinco e de frases de atores da emissora, falando frases do jingle como “todos queremos mais”. Em determinado trecho da peça, os atores falam: “Todos queremos mais. Educação, saúde e, claro, amor e paz. Brasil? Muito mais”. Segundo o deputado federal do Paraná e secretário de Comunicação do PT, André Vargas, o jingle embutiria, de forma disfarçada, propaganda favorável à José Serra, candidato a presidente pelo PSDB, concorrente do PT. Na mensagem estavam embutidas o “45”, o número de registro do PSDB no Tribunal Superior Eleitoral, e frases do jingle como “todos queremos mais”, o que, de acordo com os petistas, seria uma referência ao slogan de Serra, “o Brasil pode mais”.
Logo no primeiro dia de veiculação da campanha institucional dos 45 anos, a TV Globo tirou do ar a campanha. A emissora afirma que o filme foi criado em novembro de 2009, quando “não existiam nem candidaturas muito menos slogans, mas a Rede Globo não pretende dar pretexto para ser acusada de ser tendenciosa e está suspendendo a veiculação do filme.” O colunista Luís Nassif, no entanto, contestou a justificativa da emissora, afirmando que a campanha teria sido gravada em 14 de abril, três dias depois que Serra lançou sua pré-candidatura, apontando para isso notícias do próprio portal da Globo.com.

Agressão a José Serra

Uma reportagem apresentada pela Globo no segundo turno da campanha apontava que José Serra havia sido agredido com um rolo de fita por militantes petistas durante um ato da campanha no Rio de Janeiro, passando mal em seguida e dirigindo-se a um hospital onde foi examinado. Ele teria cancelado os demais compromissos do dia por ordem médica. Entretanto, uma reportagem do SBT mostrou que Serra havia sido atingido por uma bolinha de papel, continuou caminhando até receber um telefonema, e então, 20 minutos depois, é que levou a mão à cabeça para se queixar do “golpe”. Serra teria, então, feito uma tomografia, mas não foi encontrado nenhum ferimento. O ocorrido gerou uma onda de críticas no Twitter à cobertura promovida pela Rede Globo do episódio, fazendo com que as hashtags #serrarojas (uma referência ao jogador de futebol chileno Roberto Rojas, que bolou uma suposta agressão para cancelar uma partida das eliminatórias da Copa do Mundo de 1990 e evitar que a seleção brasileira vencesse a chilena) e #BolinhadePapelFacts se popularizassem.
No dia 21 de outubro de 2010, a Folha de S. Paulo publicou uma reportagem na qual revelava que Serra havia sido atingido por um rolo de fita adesiva depois da bola de papel. No mesmo dia, o Jornal Nacional levou ao ar uma reportagem completa sobre o assunto. Em 22 de outubro, ambos Folha e O Estado de S. Paulo confirmaram que Serra fora atingido em dois momentos: primeiro por uma bola de papel, e dois por um rolo de fita. O SBT também confirmou em seu telejornal SBT Brasil que as imagens da bolinha de papel eram anteriores ao ataque com o rolo. Cinco dias depois, a revista Veja publicou uma reportagem intitulada “Pau na democracia”, cuja possuía trechos na qual o jornalista Fábio Portela acusava o SBT de omitir o rolo de fita que fora jogado à cabeça de Serra. O canal, por sua vez, respondeu que “o telejornal SBT Brasil veiculado no dia do episódio, quarta-feira 20, exibiu apenas as imagens captadas por nossas câmeras, que registraram o incidente com a bolinha de papel. Até aquele momento não tínhamos conhecimento de outro vídeo captado por um jornalista da Folha de S. Paulo, por celular, que mostrava o episódio posterior, em que um rolo de fita crepe atinge a cabeça do candidato Serra. Quando tomou conhecimento desse novo fato, o SBT tratou de registrá-lo no mesmo dia em seu telejornal da meia-noite. No SBT Brasil do dia seguinte, quinta-feira, o apresentador Carlos Nascimento voltou ao assunto, ressaltando que o segundo incidente não fora captado por nossa equipe, mas frisou que o candidato José Serra fora atingido duas vezes em um intervalo de poucos minutos.”
Não houve, portanto, nenhuma disputa entre SBT e Globo sobre bolinha de papel. Em todo o episódio, o mérito, a bem da verdade, foi da Folha de S. Paulo. Foi o jornal quem noticiou primeiro a agressão a Serra com um rolo de fita adesiva. Foi o jornal quem pôs na internet um vídeo do momento da agressão. O Jornal Nacional, num trabalho independente, confirmou os achados da Folha. 
 Eleições municipais no Brasil em 2012
Houve várias críticas à forma como a Rede Globo fez a cobertura do julgamento do caso conhecido como Mensalão, que coincidiu com as eleições municipais no Brasil em 2012. No mês de outubro de 2012, às vésperas do segundo turno das eleições municipais, o Jornal Nacional dedicou 18 dos seus 32 minutos de duração para abordar o julgamento, tendo ainda como agravante o fato da matéria ter ido ao ar imediatamente após o fim do horário eleitoral, que, em São Paulo, foi encerrado com o programa de Fernando Haddad, candidato do PT. Durante todo o segundo turno o noticiário do mensalão foi apresentado pelo telejornal sempre logo após ao fim do horário eleitoral.

Manifestações de 2013

Durante a série de manifestações populares que ocorreram em várias cidades brasileiras em 2013, protestos em frente às sedes da emissora aconteceram por todo o país. A sede da empresa em São Paulo teve estrume lançado sobre a sua fachada, além dos muros terem sido pichados. 5 No protesto na sede da emissora no Rio de Janeiro, os manifestantes entraram em confronto com a polícia.
A emissora foi alvo de várias críticas pelas redes sociais durante os protestos. No dia 19 de junho, durante o Jornal Nacional, a apresentadora Patrícia Poeta leu um editorial feito pela própria emissora, falando sobre os atos contra a rede. No dia seguinte, a emissora exibiu flashes sobre as manifestações em todo o país. Estava marcado, para o mesmo dia, uma cobertura de um jogo da Copa das Confederações FIFA de 2013, mas a cobertura foi cancelada e a emissora decidiu priorizar a cobertura dos protestos; duas novelas não foram levadas ao ar naquele mesmo dia: Flor do Caribe e Sangue Bom. Por tal razão, a emissora perdeu audiência, mas sua atitude foi bem-recebida na internet.

 Eleição presidencial brasileira de 2014

Em 8 de agosto de 2014, pouco antes do início do horário eleitoral, matérias veiculadas em O Globo e nos telejornais da emissora acusaram o Palácio do Planalto de alterar informações nas páginas de Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg na Wikipédia, com o objetivo de difamá-los. As edições, feitas em maio de 2013 por um dispositivo conectado à rede de internet do Palácio, qualificam as análises de Leitão como “desastrosas” e a acusa de ter defendido “apaixonadamente” o banqueiro Daniel Dantas quando este foi preso pela Polícia Federal, citando como prova um comentário de Leitão na Rádio CBN onde ela defendia a inocência de Dantas. Já Sardenberg é acusado de ser crítico à política de juros do governo por ter um irmão que trabalha na Febraban.
O Palácio do Planalto, em nota, explicou que não possui maneiras de identificar o autor das críticas, uma vez que o IP usado para a alteração servia tanto à rede interna quanto à rede sem fio, o que possibilitaria a qualquer visitante fazer tal alteração. As Organizações Globo foram criticadas por divulgar alterações nas biografias de seus contratados na Wikipédia, ferramenta de caráter colaborativo e aberta à edição de todos e que, segundo seu próprio criador, Jimmy Wales, não deve ser usada como fonte primária de informação. Também foi criticada por só noticiar a alteração mais de um ano depois e em período de campanha eleitoral. O jornalista Miguel do Rosário relatou caso semelhante que ocorreu na rede sem fio da Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo e disse que já visitou o Palácio do Planalto, onde obteve acesso à senha da rede sem fio do gabinete presidencial. A Globo, segundo seus críticos, estaria descontente com a possibilidade de disseminação de informações produzidas de maneira não-linear pela internet.

Luta do UFC gravada

Em 27 de maio de 2012, houve uma luta do UFC transmitida pela Globo, que dizia ser “ao vivo”, mas o Combate, pertencente à Globosat, exibiu a luta 30 minutos antes da Globo.65 Ou seja, a Globo gravou a luta, mas pôs “ao vivo” em cima do seu logotipo na marca d’água, o que gerou críticas contra a emissora, principalmente nas redes sociais.
Monopólio de transmissão em eventos esportivos
Críticas à Rede Globo Acho que a CBF não tem uma interferência dentro do futebol tão grande. A CBF cuida apenas da Seleção Brasileira. Quem realmente cuida do futebol brasileiro é a Globo. A gente sabe que a Globo trabalha na dependência da novela. A gente brinca aqui no Coritiba que os jogos de quarta-feira só rolam depois do último beijo da novela. Críticas à Rede Globo
— Alexsandro de Souza, jogador do Coritiba

A Rede Globo é frequentemente acusada de deter o monopólio das transmissões esportivas, principalmente do Campeonato Brasileiro de Futebol. Esse monopólio, que começou aos poucos no início dos anos 90, só foi facilitado graças ao lançamento das primeiras operadoras de TV por assinaturas no Brasil, coincidindo também com a desistência das principais redes concorrentes em exibir tais eventos esportivos, sob alegação de que possuíam altos custos de transmissões e baixa audiência. Depois disso, com esses direitos oferecidos às Organizações Globo, configurou-se a prática de cartel, que impedia outras redes transmitir as partidas, já que até então os canais das Organizações Globo eram os únicos a transmitir, dividindo as transmissões com a Bandeirantes.
Em 20 de outubro de 2010, depois de 10 anos de tentativas, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) emitiu orientação ao Clube dos 13 (grupo que reúne 20 grandes times do futebol brasileiro, mas é chamado Clube dos 13) para que não desse preferência à Globo na transmissão das partidas de futebol do Campeonato Brasileiro e que se comprometesse a oferecer pacotes diferentes de divulgação para cada tipo de mídia (TV aberta, TV fechada, pay per view, internet e celular) a partir dos campeonatos de 2012 a 2014.69 Apesar disso, o Clube dos 13 desrespeitou a orientação do CADE e firmou contrato com a Rede Globo para todas as mídias. Dessa maneira, a Globo manterá seu monopólio sobre a transmissão do Campeonato Brasileiro, pelo menos até 2015.
Segundo matéria do Esporte Fantástico da Rede Record, exibida em 17 de agosto de 2013, a Globo seria a principal responsável pelo baixo público presente nas partidas do Campeonato Brasileiro de Futebol daquele ano. Segundo a reportagem, a prática da emissora carioca de forçar a exibição das partidas após o final da novela das nove, com início por volta das 22 horas, inibe a presença do público nos estádios. Poucos dias antes, em entrevista ao portal LanceNet, Alexsandro de Souza, artilheiro do Coritiba, declarou que a prática da emissora é desumana para com os torcedores. Recentemente, a Record conseguiu quebrar o monopólio da Globo ao adquirir os direitos de transmissão de grandes eventos esportivos como Olimpíadas de Inverno de 2010, Jogos Pan-americanos de 2011, Olimpíadas de 2012, Olimpíadas de Inverno de 2014, Jogos Pan-americanos de 2015 e Olimpíadas de 2016 (essa última em parceria com a Globo e a Band). Apesar disso, a Globo manteve o direito de transmissão da Copa do Mundo FIFA de 2018 e de 2022, num processo de concorrência criticado pela Record por sua falta de transparência.

Receita Federal e Criança Esperança

As Organizações Globo possuem problemas com a Receita Federal. Entre 2010 e 2012, o conglomerado foi notificado 776 vezes por sonegação fiscal. A maior parte das autuações envolve a apreensão de equipamentos, sem o recolhimento de impostos, no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro.10 Ainda segundo a Receita, a empresa praticou fraude contábil ao negociar um perdão de R$ 158 milhões em dívidas com o banco JP Morgan em 2005.3 A emissora, multada em 730 milhões de reais, contesta a cobrança, mas foi derrotada em uma das instâncias do Ministério da Fazenda, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em setembro de 2013. Além disso, o conglomerado teria sonegado o Imposto de Renda ao usar um paraíso fiscal para comprar os direitos de transmissão da Copa do Mundo FIFA de 2002.3 Após o término das investigações, em outubro de 2006, a Receita Federal quis cobrar multa de R$ 615 milhões da emissora.3 No entanto, semanas depois o processo desapareceu da sede da Receita no Rio de Janeiro.3 Em janeiro de 2013, a funcionária da Receita, Cristina Maris Meinick Ribeiro, foi condenada pela Justiça a quatro anos de prisão como responsável pelo sumiço. No processo, ela afirmou ter agido por livre e espontânea vontade.
Um documento datado de 15 de setembro de 2006, liberado pelo site WikiLeaks em 2013, cita que a Rede Globo repassou à UNESCO apenas 10% do valor arrecadado desde 1986 com a campanha filantrópica Criança Esperança, promovida em parceria com a agência das Nações Unidas (à época 94,8 milhões de reais).72 73 A emissora afirmou “desconhecer” essa informação e afirmou que “todo o dinheiro arrecadado pela campanha é depositado diretamente na conta da Unesco”.
Beyond Citizen Kane

Chico Buarque participou de Beyond Citizen Kane, concedendo um depoimento para a equipe de produção.

Em 1993, o Channel Four, uma grande cadeia de TV britânica, produziu um filme, criado por Simon Hartog e intitulado Beyond Citizen Kane, que conta a história da Rede Globo de Televisão e suas “ações sombrias” no país até o ano de 1990. O documentário foi proibido no Brasil desde 1994, graças a uma ação judicial movida por Roberto Marinho. Atualmente existem poucas cópias em circulação no Brasil, além de versões piratas circulando pela internet, como no YouTube. O filme conta com a participação de alguns artistas, políticos, e especialistas como Luiz Inácio Lula da Silva, Chico Buarque, Leonel Brizola e Washington Olivetto. O documentário jamais esteve no circuito de cinemas brasileiros e a exibição que ocorreria no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro foi proibida pelo então presidente da República, Itamar Franco.
No país, o documentário recebeu o título de Muito Além do Cidadão Kane. O título teve origem no personagem Charles Foster Kane, criado em 1941 por Orson Welles para o filme Citizen Kane, que por sua vez, tratava-se de um um drama de ficção baseado na trajetória de William Randolph Hearst, magnata da comunicação nos Estados Unidos. Segundo o documentário, a Globo empregaria a mesma manipulação grosseira de notícias para influenciar a opinião pública como fazia Kane no filme. De acordo com matéria veiculada na Folha Online em 28 de agosto de 2009, a produtora que montou a filmagem é independente e a televisão pública britânica não teve qualquer relação com seu desenvolvimento. Já a Record sustenta que a BBC, outra emissora pública do Reino Unido, estaria relacionada com sua produção.
O documentário é dividido em 4 partes:
na primeira parte é mostrada a relação entre a Rede Globo de Televisão e o período militar, em que se veem fatos sociais que ocorreram no país em decorrência do governo;
na segunda parte apresenta-se o acordo firmado entre a Globo e o grupo Time-Life;
na terceira parte evidencia-se o poder do proprietário da emissora, Roberto Marinho. Mostra-se também o suposto apoio da mesma à saída dos militares do poder, na figura do candidato à presidência da República Tancredo Neves;
na quarta parte, tida como a mais importante e reveladora do filme, mostram-se às claras “os envolvimentos ilegais e mecanismos manipulativos utilizados pelas Organizações Globo em suas obscuras parcerias para com o poder em Brasília”. Contudo, o documentário não apresenta fontes primárias, apenas entrevistas.
A Globo tentou comprar os direitos de exibição do filme. Entretanto, antes de morrer, Hartog formou um acordo com organizações brasileiras para que os direitos de exibição do documentário não caíssem nas mãos da emissora, a fim de que este pudesse ser amplamente conhecido tanto por organizações políticas quanto culturais. O canal perdeu o interesse em comprar o filme quando os advogados da emissora descobriram tal acordo, mas até hoje uma decisão judicial proíbe a exibição de Beyond Citizen Kane no Brasil. De acordo com a Folha de S. Paulo, na década de 1990, a direção da Record havia tentado comprar os direitos de exibição do documentário, mas “percebeu que haveria uma disputa judicial com a TV Globo a respeito das muitas imagens retiradas da programação deles. Então decidiu não comprá-lo”. No entanto, em agosto de 2009, no auge de uma troca de acusações mútuas entre as emissoras, provocadas por acusações de lavagem de dinheiro da Igreja Universal do Reino de Deus, a Record comprou os direitos de transmissão do documentário por aproximadamente 20 mil dólares, e espera a autorização da justiça para transmiti-lo.

Escândalo do Papa-Tudo

“E assim, usando uma grande rede de televisão, […] uma grande vendedora agindo diretamente junto ao público infantil induzindo a que crianças pedissem aos pais para comprarem, […] associados ao insuspeito ‘titio’ Artur Falk, foi dado um dos maiores golpes – conto do vigário – na população tola, que acredita na Rede Globo, que compra os produtos que ela anuncia que doa para as “instituições de caridade”, abençoadas pela Globo. Pobre população ludibriada que se comove com os trambiques glamourizados da televisão”.
—Antônio Paiva Rodrigues, Observatório da Imprensa.
No início da década de 1990, com a finalidade de concorrer com a Tele Sena, pertencente à Silvio Santos e seu conglomerado,79 a Globo lançou em parceria com o então banqueiro Artur Falk um título de capitalização intitulado Papa-Tudo, que tinha César Filho e Fausto Silva como apresentadores e Xuxa Meneghel como garota-propaganda. A venda era semelhante à da concorrente supracitada: o título era adquirido em casas lotéricas e unidades da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, e, caso o comprador não fosse contemplado, poderia resgatar metade do valor pago após um ano ou comprar um novo título pela metade do preço. Antes mesmo do lançamento, o jornalista Hélio Fernandes, da Tribuna da Imprensa, disse que “aquilo cheirava a um grande golpe e que não tinha uma chance em um milhão de dar certo um empreendimento entre Artur Falk e Roberto Marinho”.
Consoante o Observatório da Imprensa, “prometiam que, além da recompra garantida, os futuros compradores ainda concorreriam a grandes prêmios milionários e parte da arrecadação ainda seria destinada a instituições de caridade. E numa colossal e obscena ‘pirâmide’, infestaram o Brasil inteiro com promessas milagrosas de enriquecimento fácil, sempre tendo à frente a exclusividade da Globo, a insuspeita Xuxa e a benemerência de instituições de caridade. Embalado pelos heróis da Globo e pelos “embaixadores” da Unicef, o país inteiro comprou, muitas e muitas vezes, os bilhetinhos do ‘titio’ Artur Falk, veiculados pela Rede Globo e apresentado pela irrepreensível Xuxa”.80 Entretanto, chegou uma época que a ECT e as lotéricas pararam de resgatar os bilhetes, pois não recebiam os prêmios do Papa-Tudo. O título anunciou que indenizaria os compradores, mas tal ato não ocorreu. Todo o escândalo culminou na prisão de Artur sob a acusação de estelionato. Por outro lado, ninguém da emissora foi responsabilizado.
Compra da TV Paulista
Em 1955, Oswaldo Ortiz Monteiro decidiu vender a TV Paulista, a qual era proprietário, às Organizações Victor Costa, devido às dificuldades enfrentadas pela emissora. 55% do capital da concessão, formada por 15.099 ações, foi entregue ao conglomerado. Victor Costa morreu enquanto aguardava a transferência da TV Paulista para seu nome ser aprovada pelo então Departamento Nacional de Telecomunicações (DENTEL). O filho de Costa ficou no comando, embora as ações de controle ainda ficassem em nome dos ex-acionistas. Nove anos depois, ele vendeu o canal à Roberto Marinho, mesmo sem os documentos de transferência, mas as ações originais de controle continuaram em nome da família Ortiz Monteiro por mais 13 anos. Em 1977, o Dentel aprovou a transferência das ações dos Ortiz Monteiro para Roberto Marinho, com base nos recibos e procurações apresentados pela Globo. Então, a emissora foi transformada em TV Globo São Paulo.
Após a morte de Monteiro, em 1990, sua família começou a investigar uma possível fraude na compra da TV Paulista pela Rede Globo. Uma perícia realizada no ano de 2003 pelo instituto paulista Del Picchia revelou que as assinaturas foram falsificadas e incluíram desde nomes de pessoas falecidas antes da transferência até o uso de máquinas de escrever que ainda não existiam na época do ato. Os advogados da cadeia carioca, por outro lado, apresentaram parecer técnico do perito Antonio Nunes da Silva atestando que os recibos e procurações em poder da família Marinho eram autênticos. Em 2010, foi confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça que os documentos eram verdadeiros. Em contrapartida, quatro anos depois, o senador Roberto Requião, do PMDB do Paraná, protocolou no Senado um requerimento ao Ministério das Comunicações com informações sobre os supostos atos administrativos irregulares que aprovaram a transferência da concessão do canal 5 à Marinho.
TV Diário fora das parabólicas

No dia 25 de fevereiro de 2009, a TV Diário, emissora pertencente ao Sistema Verdes Mares, também proprietário da TV Verdes Mares, afiliada da Globo em Fortaleza, deixou de ser transmitida pelo satélite de antenas parabólicas, pela qual alcançava toda a América do Sul e parte do Caribe, e pelas afiliadas que possuía pelo território brasileiro, deixando os telespectadores surpresos. Os que tentaram assistir à programação da Diário pelas afiliadas passaram a acompanhar outras redes a partir daquele dia.86 Consoante informações anteriores e posteriores à saída da rede, a saída da programação da TV Diário do satélite deveu-se a pressões das Organizações Globo ao Sistema Verdes Mares, que era responsável pela TV Verdes Mares, “por conta do excessivo crescimento da audiência da TV Diário em muitos locais do país, inclusive no eixo Rio-São Paulo, o que ameaçava os nichos de mercado da Rede Globo”.

Ao sair do satélite, a emissora passou a restringir sua cobertura apenas ao estado do Ceará, além dos estados vizinhos e algumas cidades do interior do estado de São Paulo pela TV aberta e sistemas de televisão por assinatura, entre elas a Você TV, através da DTHi, a partir de agosto de 2009. Com a saída da Diário do satélite, a Rede União tornou-se a única rede instalada no Ceará exibir satélite em todo o Brasil e todas as Américas (do Sul, Central, Norte e ilhas do Caribe) partes da Europa e África. A Rede Globo respondeu que “a TV Globo, como cabeça da Rede Globo, formada por 121 emissoras, procura harmonizar os sinais de VHF e UHF de forma que estes fiquem circunscritos a seus territórios de cobertura. Desta forma, em busca de uma harmonia entre todos e pelo respeito recíproco aos interesses, a atuação da TV Diário estará restrita a seu território de cobertura, não sendo mais captada em territórios de outras afiliadas. Seu sinal permanecerá no satélite, cobrindo o estado do Ceará, porém, codificado”. A atitude da Globo foi amplamente criticada; moradores da região Nordeste promoveram um boicote ao canal de TV no dia 13 de março de 2009, mas o movimento não repercutiu. Um acontecimento semelhante ocorreu com a Amazon Sat, de propriedade da Rede Amazônica, que entre os anos de 1998 e 2004 podia ser assistida pelas parabólicas, entretanto a partir daí o sinal foi codificado e somente pode ser captado por parabólicas com receptor digital através da aquisição de cartão com o código para decodificação. A partir de 2014, a emissora voltará a ser transmitida nacionalmente, através do satélite SES-6, utilizado pela Oi TV.

Discriminação

No dia 16 de setembro de 2008, o humorístico Casseta & Planeta, Urgente! levou ao ar um quadro chamado Otário Eleitoral Gratuito, onde um dos candidatos, o personagem “Tinoco, o homem toco”, que não tinha braços nem pernas, declarava: “Você me conhece: eu sou o Tinoco, o homem toco. Vote em mim, que eu não vou meter a mão; e se eu roubar não vou conseguir fugir”, de modo a “debochar genericamente dos políticos e dos deficientes físicos”. Tal conteúdo levou o Grupo de Ação pela Cidadania de Lésbicas, Gays, Travestis e Transexuais a abrir um processo na Procuradoria Regional dos Diretos dos Cidadãos de São Paulo contra a TV Globo de São Paulo por discriminação às pessoas deficientes.
Troca de nomes
Em 2011, a rede foi processada pelo bartender Igor Pachi, que teve sua imagem confundida com a do BBB Igor Gramani. De acordo com sua advogada, Shirley Klouri, “a Globo, sites do Grupo e o canal Multishow exibiram fotos e vídeos de seu cliente na divulgação do programa e causaram problemas a ele”. O rapaz conseguiu uma liminar pedindo a retratação da cadeia e indenização mínima de 150 salários mínimos.
Edições na Wikipédia
Em 8 de agosto de 2014, uma matéria do portal de O Globo96 afirmou que um dispositivo conectado à internet através da rede sem fio do Palácio do Planalto alterou, em maio de 2013, informações das páginas de Miriam e Carlos Alberto Sardenberg na Wikipédia, com o objetivo de difamá-los. As informações inseridas no artigo de Miriam qualificavam suas análises e previsões econômicas como “desastrosas”, além de acusá-la de ter defendido “apaixonadamente” o banqueiro Daniel Dantas quando este foi preso pela Polícia Federal.61 Esta última acusação ocorreu em razão de comentário de Miriam na Rádio CBN onde ela defendia a inocência de Dantas.
O Palácio do Planalto, em nota, explicou que o endereço IP usado na alteração era utilizado tanto pela sua rede interna quanto pela rede sem fio do Palácio. Isso possibilitaria a qualquer visitante do Planalto realizar tal alteração. No entanto, o Planalto identificou o autor das alterações como sendo um servidor da Secretaria de Relações Institucionais e o funcionário foi exonerado.
As Organizações Globo foram criticadas por divulgar alterações das biografias de seus contratados na Wikipédia, ferramenta de caráter colaborativo e aberta à edição de todos e que, segundo seu próprio criador, Jimmy Wales, não deve ser usada como fonte primária de informação.61 Também foram criticadas por só terem noticiado as alterações em plena campanha eleitoral de 2014. O jornalista Miguel do Rosário divulgou que um usuário que navegava através da rede da Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo inseriu uma calúnia na biografia do músico Raul Seixas. Ele também relatou que já visitou o Palácio do Planalto e que teve acesso à senha da rede sem fio do gabinete presidencial.

Fonte: Wikipedia

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março 13, 2015 - Posted by | televisão | , , , ,

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