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A revolução dos mendigos

reação miserável

Observar a região metropolitana de São Paulo, é sempre uma forma de aprendizado. São Paulo é uma região rica, com cara de primeiro mundo, mas com problemas típicos de terceiro, ou seja, muita desigualdade social.

As tentativas frustradas e desesperadas dos ricos da maior metrópole brasileira em resolver problemas sociais crônicos, são uma típica tragicomédia bem à brasileira.

Durante muito tempo, as mídias de massa vinham divulgando, alertando, criticando um problema sério da cidade, a cracolândia, não havia quem não se emocionasse. A cracolândia acabou se tornando um problema para os gestores públicos que resolveram dar uma basta, bem ao estilo brasileiro, ou seja, fechando tudo numa verdadeira blitz, seguida pela ocupação do local.

Aconteceu o que já era esperado, os viciados se espalharam pelo centro da cidade, irritando a maior parte da população.

Na realidade, o governo não resolveu o problema, mas tentou empurrar para debaixo do tapete.

Enquanto os viciados tinham o seu espaço, a visão de um admirável mundo novo, com políticos incompetentes separando a sociedade, impondo um sistema de governo selvagem aos desgraçados, estava em harmonia. A ocupação do local pela polícia, levou essa doença social para mais perto do povo, inclusive para quem insistia em não ver.

É claro que o governo não esperava por isso, mas agora tem de admitir: A região não tem segurança, não tem condições de tratar essas pessoas e, pior, não tem nenhum interesse em resolver o problema.

Esse problema agora só será resolvido se a população pressionar os políticos, revelando outro problema brasileiro, a falta de interesse do povo em controlar os seus políticos.

Esse tipo de trapalhada política já havia sido observado no Espírito Santo, onde os políticos criaram uma lei proibindo passageiros em pé nos ônibus.

Ora, nós sabemos que já era proibido por lei, passageiros em pé nos ônibus, mas essa trapalhada revelou o alto custo do serviço de transporte, provocado pelas altas taxas de impostos, pelo próprio governo.

No tempo do governo militar, a rigidez do sistema levou a sociedade a se adaptar. Tudo o que era profano, bizarro, decadente, etc., foi separado para uma área específica.

Em pequenas cidades, os bordéis ficavam fora da área urbana, longe dos olhos da burguesia. Nas grandes cidade ocorria a mesma coisa, as classes mais decadentes da sociedade se reuniam em regiões pouco frequentadas pelos ricos, como a boca do lixo, favelas, etc. Pouca coisa mudou no país, pelo menos para melhor.

O problema se agravou e, enquanto os políticos aprimoraram seu sistema de controle, domesticação, os miseráveis desenvolveram formas de sobreviver.

De certa forma, a inteligência desse nosso admirável mundo novo se desenvolveu em duas frentes – Ou seriam fronts? – mas a pressão sofrida pelas pessoas, leva os indivíduos aos seus limites e, frequentemente, ocorrem explosões subconscientes de revolta.

As pessoas deixam de acreditar na justiça, em autoridades, e passam a demonstrar isso em atos desconcertantes de vandalismo, como ocorreu na apuração dos votos das escolas de samba em São Paulo.

Ricos se diferem de pobres, como temos observado. Ricos são premeditados e tem sempre alguém que assume a culpa e paga pelo crime, mesmo que esse crime tenha sido organizado por mais de uma pessoa.

Essa estratégia burguesa é antiga, vem desde Tiradentes.

Certamente, há um acordo, onde são oferecidos privilégios, como bons advogados, em troca do silêncio, e tudo quase sempre acaba bem.

No crime organizado isso já vem acontecendo também, afinal, um grande traficante pode não viver entre os ricos, já que é marginal, mas também não é pobre.

By Jânio

A glória dos desgraçados

março 3, 2012 - Posted by | Reflexões | , , , , , ,

1 Comentário »

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